Ações Verdes: Investindo com Consciência e Retorno

Ações Verdes: Investindo com Consciência e Retorno

Em um cenário global que exige responsabilidade socioambiental, o mercado financeiro se transforma para apoiar a conservação dos recursos naturais e a justiça social.

As Ações Verdes B3 surgem em maio de 2024 como um marco inédito na América Latina, provando que investir com consciência gera retorno tanto para o planeta quanto para sua carteira.

Ao longo deste artigo, você encontrará conceitos, critérios, números, exemplos práticos e diretrizes para aproveitar essa oportunidade de forma eficaz.

O que são Ações Verdes B3?

As Ações Verdes são um selo voluntário criado pela B3 e alinhado aos Green Equities Principles da World Federation of Exchanges para destacar empresas listadas que impulsionam a economia de baixo carbono.

O processo inclui documentação detalhada, análise de receitas, investimentos e despesas, além de auditoria feita por entidade reconhecida pelo mercado, assegurando voluntária e baseada em critérios rigorosos.

Após a aprovação, cada empresa recebe um ícone oficial em seus ativos negociados, tornando mais fácil para investidores identificar e escolher companhias comprometidas com práticas sustentáveis.

Critérios de Classificação B3 para Ações Verdes

Para obter o selo, as empresas devem cumprir simultaneamente as seguintes metas:

  • mais de 50% da receita bruta anual derivada de atividades verdes, como energia renovável, transporte de baixo carbono e agricultura sustentável;
  • destinar mais de 50% dos investimentos e despesas operacionais a projetos que reduzam emissões de gases de efeito estufa;
  • manter a participação de receita de combustíveis fósseis abaixo de 5% do total.

Essa combinação de critérios garante que as companhias não apenas financiem iniciativas verdes, mas operem majoritariamente em segmentos voltados para a descarbonização.

Números e Impacto no Mercado

O Brasil consolidou-se como líder em títulos verdes na América Latina, com emissões nacionais alcançando R$ 26,571 bilhões, recorde acumulado até 2025.

Em 2019, as transações em títulos verdes somaram US$ 18 bilhões, representando 84% do mercado de dívida sustentável na região e impulsionando o crescimento em mais de 15 vezes nos últimos anos.

Com o lançamento das Ações Verdes em 07/05/2024, a B3 reforçou seu compromisso com o ESG, ampliando o portfólio que já inclui ISE, ICO2 e IGC.

Setores e Exemplos de Aplicação

O setor de energia é protagonista, com parques solares no Nordeste e fazendas eólicas que fornecem eletricidade limpa a milhões de lares, reduzindo a dependência de termelétricas.

No agro, cooperativas do Mato Grosso utilizam CRA Verde para financiar a recuperação de pastagens e implementar sistemas de rastreabilidade, valorizando práticas de baixo carbono.

O transporte ganha força com corredores ferroviários elétricos e frotas urbanas movidas a energia renovável, reduzindo emissões em cadeias logísticas e transporte público.

Além disso, indústrias e startups investem em economia circular, gerindo resíduos e reutilizando materiais, criando um ciclo virtuoso de conservação.

Como Investir em Ações Verdes e Instrumentos Financeiros

O primeiro passo é consultar a lista oficial de companhias com selo Ação Verde no site da B3 e analisar seus relatórios de sustentabilidade.

Verifique indicadores ESG fornecidos por agências independentes e avalie o desempenho histórico de receitas e investimentos verdes.

Em fundos temáticos, escolha gestores que priorizem critérios ESG e observe se a análise combina rentabilidade e impacto de forma equilibrada.

Para investimentos diretos, acompanhe trimestralmente demonstrativos financeiros e certificações periódicas, garantindo que a empresa continue alinhada aos critérios de classificação.

Complementarmente, diversifique sua carteira com títulos verdes, debêntures e CRA verdes, que oferecem fluxo de caixa estável e impacto social mensurável.

Benefícios, Tendências e Desafios

Adotar Ações Verdes em sua carteira reforça a reputação corporativa, criando vantagem competitiva e atraindo aportes de fundos internacionais comprometidos com ESG.

Globalmente, cresce a pressão por relatórios climáticos padronizados e a adoção de frameworks como TCFD, ampliando as exigências para emissores e investidores.

Entre os desafios estão a padronização de métricas, o custo inicial de certificação e a inclusão de pequenos produtores no diálogo financeiro.

Para navegar esse ambiente, considere as seguintes orientações:

  • Monitore frameworks internacionais e relatórios de clima para antecipar exigências futuras;
  • Busque certificações independentes para validar dados corporativos;
  • Inclua empresas de diferentes setores para mitigar riscos;
  • Esteja atento a inovações tecnológicas e projetos piloto no mercado;

Com essas práticas, é possível obter retornos alinhados com padrões internacionais e contribuir de fato para a transição a uma economia de baixo carbono com impactos positivos de longo prazo.

Maryella Faratro

Sobre o Autor: Maryella Faratro

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