Cibersegurança e Resiliência Fintech: Protegendo o seu Dinheiro

Cibersegurança e Resiliência Fintech: Protegendo o seu Dinheiro

Em 2026, as fintechs brasileiras consolidam seu papel na economia digital, oferecendo soluções de pagamento, investimentos e crédito com extremo dinamismo. No entanto, esse avanço traz riscos crescentes que podem comprometer não apenas a operação das plataformas, mas a confiança digital como diferencial competitivo junto ao cliente. Este artigo explora como a combinação entre regulamentação rigorosa, tecnologias emergentes e estratégias de resiliência é o caminho para proteger o seu dinheiro e garantir a sustentabilidade do setor.

Evolução das Fintechs no Brasil em 2026

Nos últimos anos, o ambiente regulatório brasileiro se aproximou de padrões internacionais como DORA e NIST, elevando o patamar de exigência e maturidade das fintechs. Resoluções do Banco Central e da Receita Federal, além da LGPD em plena vigência, transformaram a conformidade em fator decisivo para todos os players do mercado.

Enquanto a busca por eficiência operacional se intensifica, a segurança da informação passou a ser pilar fundamental para o crescimento sustentável. Fintechs que investem em controles robustos não apenas minimizam riscos, mas também atraem clientes corporativos e de varejo mais sofisticados, ansiosos por soluções seguras e transparentes.

Ameaças Cibernéticas Emergentes

O setor financeiro é alvo privilegiado de ciberataques sofisticados. Em 2023, o Brasil registrou mais de 60 bilhões de tentativas de invasão, número que tende a crescer com a expansão de serviços como Pix e Open Finance.

  • Ransomware com extorsão dupla
  • Vishing e engenharia social
  • Exploração de zero-days e prompt injection em IA
  • Deepfakes e phishing por inteligência artificial
  • Identidades sintéticas e vazamentos massivos de dados

Essas ameaças exigem uma postura proativa, integrando inteligência de ameaças e automação em tempo real para detectar e conter incidentes antes que causem prejuízos irreparáveis.

Principais Regulamentações e Prazos Críticos

Em 18 de dezembro de 2025, as Resoluções CMN nº 5.274/2025 e BCB nº 538/2025 estabeleceram 14 controles mínimos obrigatórios para fintechs, instituições de pagamento e demais membros do SFN, com prazo até 1º de março de 2026.

O cumprimento dessas normas não é opcional: fintechs que falharem podem ter licenças negadas, multas milionárias e danos irreversíveis à reputação.

Controles Mínimos Obrigatórios

Para atender às resoluções do CMN e do BCB, as fintechs devem implementar os seguintes 14 controles:

  • Autenticação forte com MFA para acessos administrativos
  • Criptografia de dados em trânsito e em repouso
  • Prevenção e detecção de intrusões
  • Proteção contra vazamentos e exfiltração de dados
  • Rastreabilidade completa de acessos e operações
  • Backups regulares e planos de recuperação de desastres
  • Gestão de vulnerabilidades e patch management
  • Hardening de sistemas operacionais e aplicações
  • Proteção segmentada de rede e microsegmentação
  • Gestão de certificados digitais e chaves criptográficas
  • APIs seguras e autenticação de serviço a serviço
  • Inteligência cibernética para monitoramento de deep e dark web
  • Isolamento físico/lógico em ambientes críticos (Pix, STR)
  • Validação de integridade ponta a ponta em transações

Esses controles formam a base para uma abordagem defense-in-depth e zero trust, fortalecendo toda a cadeia transacional.

Exigências de Comprovação e Auditoria

Não basta documentar as políticas: é preciso provar sua eficácia. As fintechs devem contratar testes de intrusão independentes anualmente, manter documentação estruturada e reter evidências técnicas por até cinco anos.

Como ressalta Luiz Claudio, da LC SEC: “Deixa de ser suficiente ter políticas bem escritas. Agora, precisam mostrar que controles existem, funcionam e foram testados.” Esse foco em controle comprovável é vital para passar pelas auditorias regulatórias e garantir a continuidade dos serviços.

Tendências Tecnológicas para 2026

O cenário de segurança em 2026 é moldado por inovações que prometem elevar ainda mais o patamar de proteção:

  • Segurança supply chain e secure-by-design, inclusive para IA
  • Agentes de SecOps em SOCs 24x7 com automação avançada
  • Quantum security recebendo mais de 5% dos orçamentos de TI
  • IA aplicada na defesa cibernética e criptografia avançada
  • Autenticação biométrica e autenticação contínua sem perímetro

Plataformas RegTech também ganham força, automatizando conformidade e reduzindo custos operacionais, ao mesmo tempo em que asseguram conformidade em tempo real.

Investimentos e Cenário de Mercado

Os investimentos em cibersegurança no setor financeiro global devem atingir US$ 367 bilhões em 2026, com o mercado brasileiro crescendo para US$ 4,05 bilhões (15–18% ao ano). Organizações alocam mais de US$ 250 mil por ano em Cyber Threat Intelligence (CTI), sendo que 91% planejam aumentar esses investimentos em 2026.

No Brasil, espera-se que o acumulado supere R$ 104,6 bilhões até 2028, impulsionado pelas demandas de segurança do Pix — hoje responsável por 70% do tráfego em smartphones — e pelo Open Finance, que amplia a superfície de ataque.

Estudos de Caso e Lições Aprendidas

Em 2025, o Banco Central negou licença a uma fintech que não comprovou a eficácia de seus controles após um ataque de ransomware. Outro caso revelou como deepfakes facilitaram fraudes de identidade, gerando perdas milionárias e dano reputacional.

Vazamentos recentes resultaram em multas bilionárias sob a LGPD e no abandono de clientes insatisfeitos, demonstrando que a segurança é imperativa para a confiança e para a viabilidade de longo prazo.

Estratégias de Resiliência para Fintechs

Para transformar desafios em diferencial competitivo, as fintechs devem adotar uma arquitetura de segurança integrada:

• Governança sólida, com o CTI como núcleo de decisões.

• Ambientes de nuvem seguros, usando fornecedores reconhecidos e serviços 24x7.

• Certificações internacionais (ISO 27001, NIST CSF, PCI DSS, SOC 2, DORA) para reforçar a credibilidade.

• Parcerias estratégicas com startups de segurança e provedores de serviços gerenciados.

• Seguros cibernéticos para mitigação de impactos financeiros.

Roberto Campos Neto ressalta: “Aumento demanda por API-security e mobile SDKs é um reflexo direto da digitalização acelerada.” Investir em segurança não é custo, mas um ativo que valoriza a empresa e protege o seu dinheiro — e o dos seus clientes.

Em um mercado onde o ritmo da inovação é vertiginoso e as ameaças se renovam a cada dia, a resiliência cibernética deixa de ser opcional para se tornar o alicerce da sustentabilidade das fintechs. Conformidade, tecnologia de ponta e cultura de segurança caminham juntas para garantir que o seu dinheiro esteja sempre protegido.

Robert Ruan

Sobre o Autor: Robert Ruan

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