Internet das Coisas e Bancos: Conectividade para uma Nova Experiência

Internet das Coisas e Bancos: Conectividade para uma Nova Experiência

O universo financeiro passa por uma revolução sem precedentes à medida que a Internet das Coisas se integra aos serviços bancários digitais. Essa convergência promete novos níveis de personalização e conveniência, impactando tanto clientes individuais quanto empresas de todos os portes.

Nesta análise aprofundada, exploramos o crescimento exponencial das fintechs e bancos digitais no Brasil, o avanço da IoT no cenário nacional e global, além das principais tendências que desenharão a experiência financeira nos próximos anos.

O Crescimento das Fintechs e Bancos Digitais

Nos últimos anos, o mercado brasileiro de fintechs e bancos digitais teve um crescimento vertiginoso, impulsionado por uma combinação de mudanças de hábito dos consumidores e regulamentações favoráveis do Banco Central. Atualmente, 55% dos usuários que utilizam tanto serviços digitais quanto tradicionais preferem bancos 100% digitais, enquanto apenas 20% mantêm lealdade exclusiva às instituições tradicionais.

Exemplos de sucesso como Nubank, Méliuz, Mosaico, Enjoei e Locaweb mostram que oferecer soluções econômicas, personalizadas e integradas a novas tecnologias, incluindo criptoativos e open banking, é um caminho sólido para ganhar mercado e fidelizar clientes.

Entre 2016 e 2021, a evolução regulatória foi decisiva:

  • 2016: Abertura e fechamento de contas via internet; foco em cidadania financeira.
  • 2019: Início do open banking; estímulo à competição e inovação.
  • 2020-2021: Implantação em fases do open banking, ampliando modelos de negócio.

Além disso, parcerias estratégicas entre startups e grandes bancos cresceram: 35% das fintechs veem os bancos tradicionais como parceiros, 28% aguardam futuras alianças e 20% se preparam para potenciais aquisições.

Avanços e Desafios da Internet das Coisas

A Internet das Coisas (IoT) conecta objetos físicos à internet para trocar dados automaticamente, proporcionando transformação digital cotidiana e ganhos expressivos de eficiência em diversos setores. No Brasil, o mercado de IoT deverá movimentar até US$ 200 bilhões até 2025, representando cerca de 10% do PIB nacional, segundo projeções do Plano Nacional IoT/BNDES.

Dados mostram que 81,7% das empresas de IoT já incorporam aplicativos com inteligência artificial embarcada, e 63,3% apontam a combinação IoT+IA como a maior tendência. A implementação do 5G, com comunicação em tempo real, também se destaca para viabilizar operações críticas e massivas.

Entretanto, desafios persistem: altos custos de implementação (23,9%), infraestrutura de conectividade insuficiente (22,5%) e preocupações com segurança e privacidade (20%). Para superar essas barreiras, são necessárias políticas públicas que fortaleçam a regulação e estimulem investimentos em redes robustas.

O "Banco das Coisas": Conectividade Aplicada ao Setor Financeiro

No contexto do Febraban Tech 2025, surgiu o conceito de "Banco das Coisas", que propõe uma integração profunda entre dispositivos IoT e serviços bancários. Imagine um carro que paga automaticamente o pedágio, um refrigerador que solicita crédito para compras de supermercado e um relógio inteligente que ajusta limites de gastos em tempo real com base nos hábitos do usuário.

Essas aplicações dependem de data analytics, machine learning e APIs abertas, permitindo que as instituições monitorem comportamentos e ofereçam produtos sob medida, reduzindo riscos e aumentando a satisfação dos clientes.

Tendências para 2025-2026

Para se manter competitivo, o setor financeiro deve ficar de olho em:

  • Pagamentos em tempo real: evolução do PIX para formatos ISO 20022, com dados ricos para conciliação e prevenção de fraudes.
  • Infraestrutura modular em nuvem: núcleos bancários nativos para criar e escalar produtos rapidamente.
  • Open finance ampliado: integração de pensões, seguros, hipotecas, dados fiscais e cripto por meio de APIs unificadas.

Outros pontos-chave incluem a orquestração de IA para personalização dinâmica, plataformas DeFi para serviços autônomos e super-apps focados em PMEs, reunindo faturação, tesouraria e empréstimos em um único ambiente.

Impacto na Experiência do Usuário

Com esses avanços, os clientes poderão desfrutar de experiências financeiras ultra-personalizadas e seguras, onde recomendações de crédito, ofertas de investimento e limites de gastos se ajustam automaticamente ao estilo de vida e ao comportamento em tempo real.

Essa jornada trará inclusão financeira ampliada, pois dispositivos IoT de baixo custo poderão conectar regiões remotas à rede bancária digital, cumprindo a missão de cidadania financeira iniciada anos atrás pelo Banco Central.

Conclusão: Um Futuro Conectado e Inclusivo

O cruzamento entre IoT e serviços bancários não é apenas uma evolução tecnológica, mas uma revolução que coloca o cliente no centro da estratégia. Ao combinar dados em tempo real, inteligência artificial e regulamentação adequada, o Brasil tem a oportunidade de liderar esse movimento global e oferecer uma nova experiência financeira marcada pela agilidade, segurança e inclusão.

Prepare-se para um ecossistema onde cada objeto, do seu carro ao seu relógio, contribui para decisões financeiras inteligentes. O futuro bancário está na conectividade das coisas — e ele já começa hoje.

Felipe Moraes

Sobre o Autor: Felipe Moraes

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