O Potencial das Criptomoedas em Países Emergentes

O Potencial das Criptomoedas em Países Emergentes

Em meados de 2025, mais de 17.151 criptomoedas surgiram globalmente, sendo que 10.385 são negociadas ativamente. Esse cenário ilustra a crescimento de volumes sem precedentes e o interesse crescente em ativos digitais. Países emergentes como Índia e Brasil destacam-se por impulsionar a adoção, mesmo diante de desafios regulatórios e infraestrutura limitada.

Este artigo explora como nações em desenvolvimento estão transformando o panorama financeiro, aproveitando tecnologia blockchain para promover a inclusão e inovação econômica.

Adoção Geográfica

Regiões fora dos centros tradicionais, como Vale do Silício, registraram taxas de adoção impressionantes. A Ásia-Pacífico apresentou um aumento de 69% no volume negociado ano a ano, enquanto o uso de stablecoins disparou 900%. A Índia lidera a lista global de adoção há três anos consecutivos até 2025, apesar de uma abordagem regulatória ainda ambígua. O Brasil, quinto maior mercado, viu o volume negociado quase triplicar, com bancos tradicionais integrando serviços criptos.

  • Índia: líder global em adoção e inovação de carteiras.
  • Brasil: quinto maior mercado, adoção em massa.
  • Ásia-Pacífico: explosão de 69% no volume anual.
  • Desenvolvedores no Sul Global superam centros tradicionais.

Regulação como Catalisador

Uma estrutura regulatória clara serve como base para a confiança e a segurança dos investidores. No Brasil, a legislação de 2023 estabeleceu normas para exchanges e proteção aos usuários, com implementação gradual até 2027. Já o México, com a Lei Fintech, reconhece criptoativos como meios de pagamento. O Uruguai e o Chile avançaram com marcos legais que equiparam ativos digitais a valores escriturais.

Entretanto, a ambiguidade na Índia e a adoção precoce do Bitcoin como legal tender em El Salvador evidenciam riscos de infraestrutura e inclusão. Lições práticas mostram a necessidade de regulação clara e consistente para garantir estabilidade.

Benefícios Práticos e Aplicações

Além da negociação, as criptomoedas oferecem soluções financeiras inovadoras. Com a inclusão financeira em regiões com baixa bancarização, remessas internacionais tornaram-se mais rápidas e baratas. Prova disso são experimentos com XRP por mais de 300 instituições, reduzindo custos e tempo de transferência.

  • Remessas transfronteiriças ágeis e com menores custos.
  • Desenvolvimento de DeFi com US$ 170 bilhões bloqueados.
  • Expansão do uso de stablecoins para pagamentos digitais.
  • Integração entre finanças tradicionais e descentralizadas.

Projeções para 2026

O horizonte financeiro apresenta perspectivas otimistas. Relatórios projetam o Bitcoin entre US$ 150 mil e US$ 300 mil até o final de 2026. A participação institucional, estimada em 20% do suprimento total, potencializa a liquidez e reduz volatilidade. Paralelamente, a integração entre IA e blockchain promete criar novos casos de uso, especialmente em mercados emergentes.

  • Bitcoin: US$ 150–200 mil (conservador) e até US$ 300 mil (otimista).
  • Adoção institucional crescente, com volume +13% em exchanges.
  • Investidores diários na Binance: 208 mil novos perfis em 2024.

Essas tendências reforçam o potencial transformador no Sul Global, estimulando inovação e atraindo talentos para o desenvolvimento tecnológico.

Riscos e Lições Aprendidas

Apesar das oportunidades, o setor abriga desafios significativos. Taxas de falha de até 70% em projetos lançados em 2017, 2018 e 2021 evidenciam a volatilidade e a complexidade de desenvolver soluções sustentáveis. Falta de infraestrutura digital e educação financeira adequada pode inviabilizar iniciativas, como ocorreu em El Salvador.

Para mitigar riscos, é crucial investir em capacitação de usuários, fortalecer redes de suporte e estabelecer segurança e transparência da tecnologia blockchain.

Conclusão

Os países emergentes estão na vanguarda de um movimento que pode redefinir o sistema financeiro global. Ao combinar regulamentação sólida, educação e tecnologia, é possível criar ecossistemas resilientes e inclusivos. Cada investidor, desenvolvedor e legislador tem um papel fundamental nessa jornada.

Agora é o momento de agir: compreenda o mercado, participe de iniciativas locais e contribua para um futuro financeiro mais justo e inovador.

Maryella Faratro

Sobre o Autor: Maryella Faratro

Maryella Faratro